terça-feira, 13 de julho de 2010

Encenação do espetáculo!

Pensando bem, a palavra espetáculo lembra esta chula de palhaço que faz parte das cantigas populares deste nosso " Brasilzão". Hoje tem espetáculo.

Hoje tem espetáculo?
Tem, sim sinhô
É as oito da noite?
É,sim sinhô
Hoje tem marmelada?
Tem, sim sinhô
Hoje tem goiabada?
Tem,. sim sinhô
É de noite? É de dia?
É, sim sinhô
(...)
E o palhaço, o que é?
É ladrão de mulher
E o palhaço o que é?


Eu andei  relendo, recentemente, de Guy Debord ,  Sociedade do Espetáculo (Comentários sobre a sociedade do espetáculo) ed.Contraponto.Rio de Janeiro 2000, e recomendo, principalmente, aos queridos alunos que gostam de fazer bonito na sala de aula durante os seminários.
Guy  Debord  faz ai uma critica ferrenha a sociedade, moderna, tecnológica, neste contexto, de espetacularização da vida humana , em que os veículos de comunicação , em particular a tv, são os maiores instrumentos de encenação de espetáculo.

O espetáculo, diz Guy - "consiste na multiplicação de icones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa  (rádio, cinema, jornais e tv) mas também dos rituais politicos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias - tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia".Os meios de comunicação de massa diz Debord - são apenas a manifestção superficial mais esmagadora da sociedade espetáculo, que faz do individuo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio a massa de consumidores"

Para mim, a " sociedade do espetáculo " é uma sofisticadissima  chula de palhaço! Concordam ou não?

Hoje tem espetáculo?
Tem, sim sinhô
É de noite? É de dia?
É, sim sinhô
E o palhaço, o que é?
É ladrão de mulher.

domingo, 11 de julho de 2010

Andar com fé eu vou, nós vamos.

"Andar com fé eu vou. A fé não costuma faiá! Eu gosto muito desta  maneira de Gilberto Gil falar de fé e eu creio piamente que é preciso andar pela vida com fé.
Hoje,  recebi por e-mail,de uma  boa amiga, a seguinte mensagem de Emmanuel (Chico Xavier) Vejam :

"Quando estiveres sob  o eclipse total da esperança, não te deixes vencer pela sombra. Segue adiante, fazendo o bem que possas. É possivel que pedras e espinhos te firam na estrada, quando estejas tateando na escuridão. Conserva, porém, a serenidade e a coragem, porque os agentes contrários a tua marcha são elementos que analisam as conquistas de humildade e paciência.
Sofre, mas serve e segue. Se te falharam todos os recursos de proteção do mundo, não te esqueças de que tens contigo a escora infalivel de  Deus."(Emmanuel)

Conservar a serenidade e a coragem diante dos momentos dificieis da vida  não é fácil, mas é  a única saida para ultrapassar  as pedras do  caminho. Resolvi compartilhar com vocês a mensagem de Emmanuel por entender que ela é um alento para  mim, para você, para todo mundo não é?
Abraços e até outra vez...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Bahia de Todos os Santos e o 2 de Julho

Jorge Amado, nosso amado Jorge descreve assim , em  Bahia de Todos os Santos a festança do 2 de julho. 

"Foi um Dois de Julho", se diz na Bahia quando se faz referência a uma coisa notável ou grande ou barulhenta ou grandiosa .As festas do Dois de Julho tem um caráter civico e patriótico que não lhes tolda a graça popular. Comemora-se a data da entrada triunfante dos exércitos libertadores na  capital em 1823.

A Cabocla

Da Lapinha  parte o préstito conduzindo as carretas com o Caboclo e a Cabocla, puxados pelo povo. Bandos representando  os batalhões patrióticos que lutaram pela independência acompanham o  préstito. Toda a gente veste roupa branca neste dia e usa braçadeiras verde e amarelas. Nas lapelas e nos obrigatórios chapéus de palha quebrados de lado usam-se folhas de cróton também verde -amarelas.

O  préstito faz o percurso histórico do Exército Libertador.  Lapinha, Soledade, São José, Perdões, Rua 15 Mistérios, Conceição do Boqueirão, Cruz do Pascoal, Rua do Carmo, Pelourinho, Portas do Carmo, Terreiro, chegando por fim ao Largo da Sé onde o Caboclo e a Cabocla demoram numa barraca onde o povo os admira. Cosme de Faria faz um discurso.

A tarde o cortejo ruma para o Campo Grande, onde no monumento ao Caboclo há uma cerimônia cívica. É um dia alegre, muito baiano na sua jovialidade e no seu culto à liberdade. Há um verso muito repetido sobre o Dois de Julho que diz que o sol de Dois de Julho  brilha mais que o de primeiro. A verdade, porém, é que quase sempre chove. ( In.Bahia de Todos os Santos.pg.156./14ed )

A festa de 2 de Julho já foi assim, como se diz hoje: "já era" muito pouco desta descrição festiva restou. Este ano o sol não brilhou nem no primeiro nem no segundo dia, e os politicos desfilavam sob a chuva terrível fazendo caras e muitas bocas para o povo nas ruas e para os repórteres que tentavam fazer a cobertura da festa. Confesso que vi tudo pela televisão confortavelmente instalada. elogiei a postura e a elegância dos oficiais e outras patentes  da marinha, aeronática e exército, belos e garbosos sob a chuva! Entendi que o militar é superior ao tempo!... Este ano teve um agravante, o Brasil perdeu o jogo e o Hexa também " já era" .Havia um certo temor nos organizadores das solenidades que o Brasil ganhasse O JOGO  e assim as manifestaçções "copistas" (de copo, não de copa) ofuscassem mais ainda o brilho do 2 de Julho. "Triste Bahia. Oh! quão desemelhante" já dizia o Boca do Inferno- Gregório de Mattos  Guerra e  a época era o  quinhentismo, viu!
Prometo voltar com o tema "Bahia de Todos os Santos".
Espero que comentem como sempre, sem moderação.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

E agora José (Saramago) ?

José Saramago
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia .Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias não vamos a parte nenhuma" Ele disse.

Saramago saiu de cena hoje! que pena!  Ele faz parte da chamada "Geração de Abril"  isto é, prosadores que se manifestaram mais expressivamente a partir da Revoluçao dos Cravos, em 25 de abril de1974. Saramago, particularmente, é um escritor profundamente admirado no meio acadêmico do Brasil e  a  premiação como Nobel de Literatura aumentou ainda mais sua popularidade aqui.
O modo de narrar de Saramago é objeto de controvérsia. Muitos criticos literários o acusam de possuir um estilo pretenciosamente dificil, confesso que não concordo com o "pretenciosamente".

O tempo, hoje,  calou a sua voz, agora já não escreverá sobre as grandes questões do ser humano, agora  já nao fará alegorias para retratar a cegueira dos homens e seu " Ensaio sobre a Cequeira " ficará entre nós como um imenso sinal de alerta.
"Acho que na sociedade atual  nos falta filosofia.. FILOSOFIA...."

Pois é!. Pensem, pensem e comentem "sem moderação". Até.....

quarta-feira, 16 de junho de 2010

" Ama com fé e orgulho a terra em nasceste, criança"


A Copa do Mundo é o momento! E o  povo brasileiro aproveita para demostrar de maneira alucinada o seu amor pela pátria amada, Brasil. Todo mundo se veste de verde e amarelo, pinta as ruas, pinta a cara, coloca a  bandeira  no peito, na janela, no carro na varanda. Todo mundo fica eufórico, e o sentimento nacionalista  domina o povo de norte a sul  e eu me lembro de Olavo Bilac, o mais conhecido  dos  nossos poetas  parnasianos, que se dedicava a fazer poesia e  percorrer o Brasil  fazendo conferências em favor do Serviço Militar. Mas, aqui para nós,  falando sério, o poema "A Pátria"  de Bilac é um hino de amor a terra  brasileira.

"Ama com Fé e orgulho a terra em que nasceste  criança . Não verás nenhum  pais como este." E o Brasileiro apesar de todas as mazelas sabe disto."Olha que mar que rios que florestas" e o olho da usura de outros paises, considerados de primeiro mundo,  também sabe disto......... Eu queria que  o povo brasileiro soubesse traduzir este amor  em reivindicações para que os filhos deste solo fossem profissionais mais qualificados, mais educados,  e pudessem então desfrutar de  uma vida mais confortável tendo não apenas uma toca para morar , e migalhas para comer. O discurso parece velho, aliás é muito velho mas não pode morrer. Espero que, um dia,com liceça de Osório Duque Estrada " o  penhor desta igualdade consigamos conquistar com braço forte " :
Pensem e comentem " sem moderação"

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Hoje, apenas um pouco de Friedrich......

"Esta vida que vives agora e que já viveste, deveras vivê-la mais uma vez e inumeráveis vezes ainda: e não haverá nada de novo nela, mas cada dor, cada prazer, cada pensamento e cada suspiro, e tudo que existe de indizivelmente pequeno e grande na sua vida deverá retornar a ti " . Friedrich Nietzsche (1844-1900)

Leiam e  comentem "sem moderação"

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Velha Mania

Mania é coisa que a gente tem e sabe o porquê...E eu continuo com a minha mania de entrar em sebos, sim! aquele lugar que vende uma porção de livros usados, descartados, que geralmente pertenceram  a alguém que amava livros e já não pode tê-los  por tantos motivos que não quero nem pensar. Aqueles livros com dedicatórias que um dia alguém deu de presente para alguém, aqueles cheios de anotações nas páginas, denunciando, assim uma tentativa de intimidade entre o leitor e o escritor.  Isso é bom e eu adoro!
Numa dessas andanças encontrei um livro que  reteve a minha atenção entre tantos outros.Em primeiro lugar, a capa ilustrada por uma gravura que me lembrou a pintura  de Caravaggio, pela cor, pela luz, pela sombra e pela própria representação da imagem de um menino sentado ao chão entre farelos de pão e alguma frutas quase apodrecidas.Em segundo lugar pelo seu nome " Os  Filhos de Caim". Nossa! quem são os filhos de Caim ? quem são?.
Levei o livro para casa, estava cheia de curiosiadade. A preciosidade é escrita por Bronislaw Geremek. e  tem 408 páginas. Confesso que não as li em breve tempo, apesar das inúmeras ilustrações. O livro é muito impressionante, B.Geremek analisa as representações dos pobres na literatura européia do século XV ao XVII. O resultado é uma viagem ao imaginário do submundo medieval e moderno do qual emerge a figura mutante  - e atualissima do excluido social .Sinceramente, é uma viagem que vale a pena fazer.B.Geremek


analisa as diferentes imagens que o marginal adquire de acordo com as condições locais. Paralelamente,ele  traz á tona um volume imenso de informações no que concerne ao universo  interno dos vagabundos, miseráveis, prostitutas, revelando o funcionamento de suas " coorporações de mendigos," companhia de bandidos" suas hierarquias, técnicas de furto e mendicância. É isso..........